terça-feira, 22 de setembro de 2009

Entrevista para alunos de jornalismo da Faculdade Mackenzie - SP

Entrevista

“Sempre fui ligado à música de alguma forma”

É assim que o músico Edcarlos da Silva, 27, descreve como tudo começou. Nessa entrevista ele fala sobre as suas duas profissões, ambas ligadas à sua maior paixão: a música.

Por Tamires Paulino / Faculdade Mackenzie

Tamires - Quem foi a primeira pessoa que disse que você levava jeito pra música?

Edcarlos - Não vou me lembrar exatamente, porque desde bem pequeno eu sempre fui ligado à música de alguma forma. Em casa, meus pais sabiam que eu gostava de música e era interessado desde muito pequeno. Mas creio que no início eles não deram muita atenção, por que pensaram que era só uma empolgação passageira.

T – E você aprendeu a tocar sozinho?

E – Sim e não... Meu pai tinha um violão em casa e nunca aprendeu a tocá-lo. Eu cresci falando que queria entrar em um curso de música, mas não tinha nada parecido no bairro.

Quando eu tinha 9 anos, uma amiga da minha mãe me ensinou o solo de “And I love her”, (dos Beatles), que até então, eu só conhecia na versão em português. A partir daí eu corri atrás. Procurava por músicos que me ensinassem algo novo, prestava atenção em quem já tocava...

T – Como decidiu dar aulas?

E – A oportunidade de dar aulas surgiu em 1995, quando eu tinha 13 anos. Já tocava na igreja, cantava, freqüentava bares em que músicos conhecidos tocavam e sempre dava “canjas” com eles. Nessa época me convidaram para dar aulas a iniciantes. Como eu não tinha nenhuma noção de teoria musical, corri atrás de livros e revistas sobre o assunto para poder preparar um método básico.

Aos poucos fui elaborando meu próprio método e mais tarde, quando já tocava profissionalmente e já dava aulas para alunos mais avançados, fiz um curso de teoria musical para criar um método ainda mais elaborado e mais sofisticado. Ou seja, não foi bem uma decisão. Fui convidado a ensinar e como eu não queria depender dos meus pais, achei que seria uma boa alternativa. Além disso, sabia que seria uma forma de me aperfeiçoar. E lá se vão 14 anos.

T – Onde você tocou pela primeira vez?

E – A primeira coisa “pública” que fiz, ligada à música, foi cantar na igreja na primeira comunhão. Depois comecei a participar do grupo de jovens, desse modo, comecei a cantar e tocar na igreja. Isso foi até 1997; a partir daí comecei à tocar também na noite, em bares e restaurantes.

T – E quando foi que surgiu a oportunidade de montar uma banda?

E – Bom, como eu disse, comecei à tocar na noite em 1997. Eu acompanhava alguns músicos e com isso as bandas me chamavam para fazer Free Lancer, (músico contratado, que toca de vez em quando em uma banda), como guitarrista ou baixista. Nessa mesma época, comecei a ensaiar com um músico que era amigo do meu pai. Ele foi na época, meu maior incentivador. Em 1998, quando eu já tinha aprendido todo o repertório dele, formamos uma dupla. Tocamos juntos até 1999, quando ele morreu em um acidente. Na metade daquele mesmo ano, fui chamado para tocar na banda de uns amigos. Depois disso, toquei sozinho e também participei de algumas bandas. Atualmente toco na banda “Marca do Tempo”, formada por músicos que conheci em 1999.

T – Se não fosse músico e professor, o que seria?

E – Não faço idéia. Talvez faria Letras.

T – Na cena atual, qual é a banda que mais te agrada?

E – Tenho ouvido pouca música atual, mas gosto de Skank e Paralamas (do Sucesso) e sempre gostei de MPB.

T – Já pagou algum mico no palco?

E – Vários! Mas todos leves. Esquecer a letra sempre me acontece, mas hoje em dia eu sei me sair bem desse tipo de situação.

T – Qual é a dica que você dá para quem quer montar uma banda nos dias de hoje?

E – Uma banda só dá certo quando todos os músicos têm o mesmo objetivo, quando querem o mesmo resultado.